sexta-feira, fevereiro 27

Por Ambos



Pensando nele, adormeci em um ponto de ônibus. Enquanto achei ser verdade sonhei com ele. Quando acordei, me vi desamparada e sem ele ao meu lado. Vi meu ônibus passar e eu a correr atrás dele. Constrangedor. Olhos a me vigiar. Mas daqui que passasse outro demoraria horas. Eu estava disposto a correr até o ver parar. Por ele. Por mim.


Pareceu brincadeira, pois ele se distanciava mais. Não sei se ônibus corria de mim ou eu que de casando corria menos que o segundo atrás. Eu gritei apenas uma vez para que parasse. Ele parou. Se soubesse antes. Mas são acasos.

Subido nos três detrais do ônibus como se nada tivesse ocorrido. Porém, meus olhos revelavam muito. O motorista sorriu, mas sei que no fundo ria por dentro de si. Houve até aqueles que se espantou por me ver a ocorrer. Deveriam se perguntar o que se passou para eu o ter feito. Ou o que de tão importante era da mesma. Eu sentei e esperei de olhos bem abertos para não dormir novamente, mas era inevitável não pensar nele. Assim foi todo o percurso sem distração. Sem amadorismo.

Quando me dei conta, recordei do meu sonho, eu estava olhando seus olhos frente a frente e o abracei. Não bastavam provas no amor para saber do meu amor.

Outro Coração


Lembrei, em um dia qualquer de tudo o que passou e que você nem fez questão de notar. Fazia-me lembrar coisas, coisas que eu não queria lembrar. Queria esquecer. Queria abandonar. E eu ainda não amava as falta, nem cada precisar.

O céu era tão azul e eu ainda nos via caminhar. Gostava da sua face colada a minha. Mas odiava mais quando você não tinha nada haver com nada.

Todo dia eu quebrava a cabeça tentando apenas entender o meio e o fim, pra não sofrer por amor. Faltava muito mais para eu ir. Faltava amor. Faltava luz. E não falta pouco para ficar.

Nenhum outro coração, nenhum outro amor me faria ficar onde estou. Eu iria sem nenhum pudor. Sem nenhum amor. Sem qualquer vocação. Sem motivação. Sem ação. Sem imaginação. Eu iria sem nenhum motivo para ficar.

quinta-feira, fevereiro 26

Todo carnaval tem seu fim.




Sai de casa a procura de diversão. De distração. De amores.

Andei por vários lugares, várias vistas eu vi, com vários dancei, todos estavam mascarados e não se importavam, pois era tempo de carnaval. Todos pulavam, e podíamos ver a alegria estampada em seus rostos por estarem lá. Por serem lá. Não importava o que eles ouvissem, era tempo de carnaval. O sorriso era largo e por mais que os espaços fossem mínimos, sim, era tempo de carnaval.

Ainda se via o Pierrot e a Comlobina, e muito a dizer. Existiam mentiras para quem estava com rostos estranhos, mas não para quem era verdadeiro e cheio de amor no que falar.

Não importava onde eu fosse estar. O que eu acreditei que era, sim, possível ser feliz e precisar de outros para contribuir com essa explosão no coração. Sem segredos. Sem silêncios.

Senti algo tocar meu ombro diante de tanta folia. Olhei ao meu redor, e senti meus pés gelarem. Era o vento que passava por mim, tão forte. E meu coração era a única coisa que me aquecia. Fiz círculos com os olhos, corpo e alma no mesmo lugar por onde estive fixada tanto tempo. Não era ninguém, mas deveria ter sido algo. Senti um adeus e aperto tão forte. E apenas quando cheguei, em casa, eu havia de perceber que era o carnaval a me dar um adeus com o coração aberto. Pois eu estava cheia de felicidade, disposta para outra. Sem comparação igual ou semelhante.

quarta-feira, fevereiro 25

A vida também é um teatro?



Olhava os lados sem saber quem eu era. Em todos esses dias não me lembro de dizer nada assim, nunca disse os meus maiores segredos em voz alto. Lembro-me de fazer, tantos amores, acreditar em todas as minhas morais e era tão bonito te ver crer em tudo o que não se fez verdade.

Observava os lados sem ainda sim saber quem era eu. Sentia-me como uma atriz em um roteiro que eu construía papéis diversos. Onde eu sempre fui à atriz principal. As mentiras ocultavam as verdades que tanto me mostravam. Era melhor continuar sem saber quem eu já fui um dia. Acreditava ser tão mais fácil assim. Os efeitos seriam como um cristal que poderia se quebrar, tornando difícil o acreditar. Sabia quem iria se machucar em cada história. Sabia bem do caminhar em ovos. E sabia, também, de quem eu não era, mas não de quem eu já teria sido. Muitos dias eu sai e entrei em outras vidas sem dizer meus segredos.

terça-feira, fevereiro 24

Soube.



Você sabe! Existem tempos em que perdemos o controle da mente. Do corpo. Das palavras.

Não importa o que houver eu não irei estar parada nesta noite. Ontem pensei em porquês. E não tive o poder das respostas. Por que fazer esse coração bater tão forte e fazê-lo se perder tão fácil assim? Ele não dormiu está noite continua batendo intenso. Querendo anseios. Buscando bater de dentro para fora, de fora para dentro com tanto para contar. E nem se esqueça de fazer meu coração bem esta noite.

Você sabe, eu te disse tanto que meu coração era vidro e sentimento. Nem se quebrou. Mas é meu coração.

Você sabe, esses dias eu nem dormi direito. E foi destino cada pingo que lá fora cairá. Afundando o chão de tantos passos sem pregar os olhos. Com o coração a querer ansiar.

segunda-feira, fevereiro 23

Ser feliz, juntos.



E eu só quero que seja feliz
em um sonho ou em um fato.
Tendo fé.
Tendo amor.
Tendo sentimentos.
Não precisa ser você e eu.
Precisa ser você e ser feliz.
Todo caminho basta apenas sonhar...
Basta apenas ouvir a voz do coração.
E acelerar todos os pulos andados.

Eu apenas quero que seja feliz
em um sonho ou em um fato.
Não espere por mim.
Por que talvez não exista você e eu.
Mas existe você e a felicidade.

domingo, fevereiro 22

Como se fosse hoje.



Ainda lembro como se fosse hoje quando eu o conheci... Nunca julguei amar você. De principio não sabia se era amor ou amizade. Nenhum dos meus amigos me fez deixar de assim pensar. Eu rezava por uma luz. Eu sempre tive fé. E foi essa fé que nos fez chegar aqui.

Foi só sentir uma amarga possível perda que eu descobri ser amor. Não era amor por perder. Mas, sim, o sentir do amor verdadeiro ir. O sentir de o meu coração bater mais rápido e forte quando a mim se aproximava. Essa falta de palavras que me enlouqueciam! Esse nervoso que travava meu corpo! Era um dossiê de sentimentos que me cercavam e que apenas me faziam te observar.

Eu tinha certeza ser amor. E eu não me importava de apenas te observar.

Não definirei o que sinto quando te observo, pois tudo o que eu tentasse dizer seriam abobrinhas para o que eu realmente sinto. Apenas direi que é tão bom amar.

Em cada sonho você aparecia. E quanto mais eu pensava em você mais eu me desesperava... Talvez eu não fosse tudo o que você esperava. Ou sei lá, tantas coisas podem ocasionar uma rejeição e aproximação dita por amizade.

Sabia desde os sete anos que príncipes em cavalos brancos nunca foram verdade. Esses contos não me iludiam, eles apenas me deixavam a crer que o amor verdadeiro existia... Um dia seria a minha vez.

Apaixonei-me por você sem erro algum. Havia como há obstáculos... Mas juntos, eu sei, venceremos.

Nunca duvidei desse amor. Nem nos sonhos e nem em pensamentos soltos. É esse amor que me deixa sóbria para viver quando eu sempre preciso de ajuda. E você sempre soube o que dizer... Quando se aproximava.

Eu em todo esse tempo pensei em você. Em cada segundo. Foram palavras trocadas, olhares sorridentes e todas as certezas. Acredito que nada seja por acidente. Essa verdade de te conhecer me faz a cada dia acreditar que eu posso ser feliz.

Em todas às vezes em estive perdida, você sempre me encontrou.
© O Ritmo da Chuva.
Maira Gall