terça-feira, junho 30

Quando o amor acaba.



Trocávamos palavras afáveis. Traçamos destinos abertos. E sorrisos ardentes. Quanto tempo dura o amor? Ele disse se vá. Eu não lembro o que tinha... Lembro apenas de trocados e roupas do corpo. Recordei do sonho tão fechado. Lamentei pelo aperto sem fim. Até aquele amargo sentimento de raiva. Eu não respondi nenhuma pergunta. As respostas não fariam voltar a trás nas sugestões indiretas. Apenas o olhei e deixei sua mão, como assim fez a mim.

Eu, um pássaro a voar. Voar... Voar sem infinito.

domingo, junho 28

Mentiras.



Algumas coisas devem ser ditas. Outras omitidas até no olhar.

A vontade que eu tinha transpassava as emoções e principalmente as conseqüências. Nem em outros pensei, fui tão egocêntrica que havia apenas eu como intuito de ansiar a verdade.
Eu possuía uma faca, e não tinha medo de usá-la. Ele chegou tão perto de mim depois de eu empurrá-lo após um amor sem desejo. Sem vontade minha. Chegou tão próximo... Eu pedi para se afastar. Eu tinha nojo dele. Queria que ele sentisse a dor que eu senti, tanto fisicamente como emocionalmente.

Tinha uns anos de namoro. Íamos nos casar, estava tão feliz. Já morávamos junto, nada comum para a época. Deslumbrava-me com tudo, nunca tinha sentido nada daquilo. Ele sabia me fazer sentir mulher. Sabia exatamente me mostrar à felicidade. O amor. Quando o conheci eu estava acabada por ter deixado um homem que pensei ser para sempre. Sabe, no fim a gente descobre o quanto há vidas opostas.

Faltavam duas semanas para o nosso casamento. Ele saiu. Voltou as 4:25h da madrugada. Bêbado. Tentei ajudá-lo. Ele olhou nos meus olhos e disse o quanto eu era ridícula, dizia sem parar para eu o largar por que ele não me agüentava mais. Eu não acreditei em tudo o que ouvi, pensei que a bebida faria o fazer coisas indesejáveis. Mas eu estava errada. Ele dormiu não sei como, pois ele havia me retirado do quarto em gritos. Eu pensei que passaria, mas no dia seguinte foi pior. Quando ele acordou disse a ele o ocorrido e ele pediu desculpas do que tinha feito, colocou a culpa na bebida e achou que tudo ficaria bem. Mas, não se engane como eu me enganei. Voltou para casa quase a mesma hora da outra madrugada. Dessa vez ele me bateu. E falou coisas que ninguém aceitaria. No dia seguinte as mesmas coisas. Desculpas. Mais desculpas. Tinha medo do que eu iria fazer no fim.

No outro dia estava tudo bem.

Mas, três dias depois ele voltou umas 6:30h da madrugada. Acordou-me aos gritos, aos socos e tapas. Quando eu comecei a chorar e a pedir que parasse, ele me agarrou. Eu não conseguia me mexer. Gritava. Agredia-o. Mas, nada era o suficiente. Sentia suas mãos no meu corpo, e sua boca a tentar me beijar. Eu me desesperei. Senti que morreria. Nunca pensei me desiludir tanto assim com alguém. Eu criei um futuro, e as perguntas que eu tanto fiz... Ele as respondeu.

Quando terminou de me usar. Sentia-me estado de transe, havia dor em todo aquele quarto. Demorou um pouco para eu ir até o banheiro me limpar. Eu tive tanto ódio. Desci as escadas com tanto rancor. Tinha tanta vontade de vingança. Fui até a cozinha, e peguei uma faca. De algum jeito me fez sentir segura. Ele me encontrou e veio como se nada tivesse acontecido. Me chamou de amor. E disse que eu merecia sofrer, mesmo sem motivo algum. Eu o olhei, e sorri. Sorri, pois teria destino. Ele veio até mim com pudor e eu o enfiei uma faca no estomago com toda força que tive. Eu poderia estar errada. Poderia seguir outro caminho. Mas eu sabia o quanto eu estava firme em matá-lo. Eu o matei. O matei da minha vida.

quarta-feira, junho 24

De volta para casa.



Retrocedia a voltar para aquele passado do qual eu dei o primeiro passar para fugir. “Voltar!”, o vento me soava tão claro, eu nem ansiava acreditar. Eu acordei de um pesadelo tão claro, e no fundo dele tão escuro. Em outra vida eu disse adeus, e por algum acaso nessa nova vida eu tive que fazer o certo. Seguir o ritmo, seguir o anseio, os passos. As vontades. Não me olhe assim, andei perdida por tanto tempo... E agora que me encontrei. De volta para casa, as portas, janelas, e tinturas, se encontram mudadas como eu.
© O Ritmo da Chuva.
Maira Gall